QUEM SOU, NÃO SOU

Meu sonho de infância sempre foi ser importante. Queria fazer alguma coisa que valesse a pena, alguma coisa que fosse indispensável, quase que como entregar a vida por alguém, coisa que não se esquece por anos. Depois de algum tempo, adulto, descobri que meu sonho era ser importante para alguém.

Como é difícil ser importante, pior ainda é o ser para alguém. É fechar os olhos todos os dias tentando enxergar algo importante para o dia seguinte. É acordar todos os dias e tentar iluminar o pensamento de como ser importante. Percebi que agora era um escravo, escravo da importância que não consideravam importante, escravo de mim, escravo de outro eu.

Foi quando vi que meu sonho de infância construiu um eu que não era eu, não o reconheci, me fez pior. O espelho é estranho, o som da voz é estranho, os sentimentos são estranhos, não sei quem eu sou ao longo dos anos de quem eu fui, na importância de ser importante para os outros, me tornei desnecessário para mim e hoje não sei quem sou.

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