DOR
São poucas horas da madrugada, e este relógio parece não caminhar para o fim. Estou desesperado, ando de um lado para o outro como se isso amenizasse a minha dor, mas nada, é tudo igual. Sinto meu coração acelerar como se fosse sair de dentro de mim; minha boca seca como se minha língua tentasse, inutilmente, se prender ao céu de minha boca. Não sinto fome, não sinto sede, só sinto dor. Dor que não passa, não tem remédio, é só dor.
Tento me encolher na cama, como numa dor renal que tentamos encontrar a melhor forma de não senti-la, é inútil, ela resiste a todas as posições. Penso que talvez precise caminhar, mas sinto formigar minhas mãos; meus pés tremem, e não consigo entender um passo além do outro. Estou perdido, mas não posso ser achado por ninguém, estou perdido dentro de mim.
Me pego pensando no que não quero pensar, e quanto mais tento mudar mais penso. Pensamento pesado, pensamento dolorido. E quando calmo que estava encolhido em mim mesmo, sinto novamente o coração acelerar, um desejo incontrolável de tirar essa dor com minha mão, mas não a alcanço; ela brinca comigo, me domina, me subjuga, me humilha. É a dor que de tão presente se tornou parte de mim.
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